Já usei todas essas formas de investimento e ainda uso algumas. Tudo o que descreverei a seguir baseia-se em minha experiência e em informações reais do banco e da corretora que eu utilizo. Em outros bancos e corretoras, as condições, as taxas cobradas e a composição das carteiras podem ser diferentes. Durante a sua educação financeira, a regra de ouro é pesquisar e aprender bastante, preferindo informações oficiais e por escrito a conversas (pessoalmente ou por telefone) com gerentes e corretores mal informados ou mal intencionados. Seja responsável e não culpe outrem por sua desinformação. Teste e valide todas as informações por si próprio!

Para que a comparação fique mais clara, simularei o investimento de R$ 1.000,00 com a aplicação feita em 01/01/2011 e o resgate total, em 30/06/2012 (18 meses).

  • Poupança

    Rentabilidade mensal. Possui alta liquidez; não está sujeita à incidência de IR para saldo inferior ou igual a R$ 50 mil; está sujeita à incidência de IOF regressivo no caso de resgates de aplicações com menos de 30 dias; é um dos ativos garantidos pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito); é indexada pela TR (Taxa Referencial).

    Em dezembro/2010, a rentabilidade mensal foi de 0,53%. Após o período de 18 meses, resgataríamos o valor líquido de R$ 1.099,82, o que equivaleria à 9,98% de rentabilidade líquida no período.

  • Fundo de investimento RF

    Rentabilidade diária. É composto, majoritariamente, por ativos prefixados (renda fixa), sendo indicado quando houver previsão de queda nas taxas de juros. A carteira de investimentos é composta por títulos públicos federais pré e pós-fixados (LFT, LTN e NTN), títulos privados pré e pós-fixados(CDBs e debêntures) e Over/Open. Possui boa liquidez; está sujeito à incidência de IR regressivo (22,5%; 20%; 17,5% e 15%), no momento do resgate e a cada 6 meses (come-cotas de 15% de rendimento); está sujeito à incidência de IOF regressivo no caso de resgate de aplicações com menos de 30 dias; o valor investido não é garantido pelo FGC.

    Em dezembro/2010, a rentabilidade mensal foi de 0,70% já descontada a taxa de administração de 2,5% ao ano. Para 18 meses de aplicação, o imposto de renda seria de 17,5%. De 01/01/2011 a 01/06/2012, teríamos 3 come-cotas.
    Só para que o cálculo fique claro, vamos fazê-lo até o primeiro come-cotas, que ocorrerá em maio/2011: De janeiro à maio (5 meses), o valor investido renderá 3,55% (irá de R$ 1000,00 para R$ 1.035,49). Desse rendimento, precisamos descontar 15%, o que nos deixa com rendimento líquido de 3,02%. Dessa maneira, o valor base para o investimento, no próximo mês, será de R$ 1.030,17.
    Ao final de novembro/2011 teremos saldo bruto de R$ 1.074,20 ou R$ 1.067,60 após descontar o come-cotas.
    Ao final de maio/2012 teremos saldo bruto de R$ 1.113,23 ou R$ R$ 1.106,38 após descontar o come-cotas.

    Em junho/2012 teremos saldo bruto de R$ 1.114,13. Desse valor ainda precisamos descontar os 2,5% de IR (17,5% – 15%), o que nos deixaria, no pior dos casos, com R$ 1.111,27 ou 11,13% de rentabilidade líquida no período.

  • CDBs pré-fixados

    Certificados de Depósito Bancário. Rentabilidade diária e conhecida no momento da aplicação (prefixada). Possui boa liquidez; está sujeito à incidência de IR regressivo (22,5%; 20%; 17,5% e 15%) no momento do resgate e de IOF regressivo no resgate de aplicações com menos de 30 dias; o valor investido é garantido pelo FGC; não possui taxa de administração.

    CDBs prefixados não estão sempre disponíveis para compra (consulte o seu banco para maiores informações). O último CDB pré que eu adquiri, no final de 2010, tinha rentabilidade de 0,85% ao mês. Após 18 meses de aplicação, teríamos R$ 1.164,57 de saldo bruto. Se descontarmos os 17,5% de IR, chegaríamos a R$ 1.135,77 ou 13,58% de rentabilidade líquida no período.

  • LTNs (Letras do Tesouro Nacional) via Tesouro Direto

    Títulos da dívida pública. Rentabilidade prefixada com pagamento de juros no vencimento do título. Possui liquidez média, já que o Tesouro Nacional recompra os títulos, antes do vencimento, à valor de mercado e em datas pré determinadas; está sujeito à incidência de IR regressivo (22,5%; 20%; 17,5% e 15%) no momento da venda; o valor investido não é garantido pelo FGC, mas os títulos ficam registrados em nome do investidor, protegendo o último no caso de falência do Agente de Custódia.
    Alguns bancos e corretoras cobram taxa de administração e outros não. A corretora que eu uso, por exemplo, cobra 0% ao ano de taxa de administração. Sendo assim, só preciso pagar 0,3% de taxa de custódia para CBLC/BM&FBovespa. Consulte o ranking de Agentes de Custódia por taxa de administração e a lista completa de Agentes de Custódia. Além da custódia, a CBLC/BM&FBovespa cobra0,1% sobre o valor da operação (compra ou venda) e o Agente de Custódia pode o valor que quiser sobre a operação. Novamente, a corretora que eu uso cobra R$ 0,00 por operação.

    A lista de títulos disponíveis e respectivas taxas varia de acordo com o período. Por exemplo, agora há o LTN 010113, que vence em 01/01/2013 e paga 10,54% de juros ao ano. Em setembro/2010, eu comprei o LTN 010112 que vencia em 01/01/2012 e pagava 11,26% de juros ao ano. Normalmente, eu carrego os títulos até o vencimento, pela garantia de receber o pactuado. Vendendo os títulos antes você estará se sujeitando às condições de mercado no período. Para simplificar os cálculos e conseguirmos comparar os investimentos, será assumido que o vencimento desse título é em jun/2012.

    Se considerarmos o LTN 010112, iremos aplicar R$ 1.000,00 investidos por 18 meses a 11,26% ao ano (0,89% ao mês). O valor bruto resgatado será de R$ 1.172,92. Temos 0,1% x 1.000,00 + 0,1% x 1.172,92 = 1 + 1,2 = R$ 2,20 de custo da operação e R$ 4,88 de custódia. O IR será de 17,50% x 172,91 = 30,30. Grosseiramente, gastamos R$ 1.000,00 + 2,20 + 4,88 = 1.007,08 para obtermos lucro líquido de R$ 170,08 – 30,30 = R$ 139,78 ou 13,88% de rentabilidade líquida no período.

Em geral, investimentos de renda fixa ou prefixados são indicados quando há previsão de queda na taxa básica de juros (taxa Selic).
Quando a previsão é de alta das taxas de juros, o melhor são os investimentos pós-fixados como fundos DI, CDB DI e LFT (Letras Financeiras do Tesouro).

Uma vez que eu, realmente, não quero acompanhar as tendências da economia, o que faço é aplicar 50% dos recursos em prefixados e 50% dos recursos em pós-fixados. No caso de CDBs pré ou LTNs, prefiro aqueles com vencimento superior a 1 ano, mas inferior a 2 anos. Dessa maneira me beneficio de tarifas menores de IR e não sou muito prejudicado no caso de pequenos aumentos na taxa básica de juros.

O objetivo dessa comparação era demonstrar que ainda há opções de investimento de baixo e/ou médio risco mais rentáveis do que a poupança e que esses investimentos não são nenhum bicho de sete cabeças.

* O FGC garante até R$ 70 mil por CPF/CNPJ por instituição financeira