Porque eu quero salvar o mundo. Pretensão? Bom, eu nunca disse ou escrevi que eu queria ou que eu o faria sozinho :-)

Para ser honesto, salvar o mundo não foi a primeira coisa na qual eu pensei quando resolvi reiniciar a minha incansável busca por ter um negócio próprio. Queria ficar rico. Queria ter mais “liberdade” (ou horas livres). Queria blá blá blá…
Isso é besteira! Horas livres? É bem provável que eu trabalhe muito mais agora do que se fosse um funcionário. Mesmo considerando que eu, naturalmente, já trabalho mais horas do que o normal. Muitas vezes eu quase nem durmo :-P
Ficar rico? Talvez como consequência. Falando com uma amiga eu percebi que o tal do dinheiro nunca foi o real motivador. As palavras dela: “Vc ta feliz, realizado? Da mto trampo, digo, dor de cabeca?”. A minha resposta: “Trabalho deve dar e muito, mas eu não me importo. Acho que estou (ou sou) mais feliz assim.”.

Incansável busca. Incessante. Quem me conhece há mais tempo ou já conviveu um pouco comigo sabe como eu sou irrequieto em relação a ter uma empresa. Como funcionário, basta me colocar atrás de um mesa executando qualquer trabalho repetitivo e inútil. Basta me distanciar o suficiente do cliente para saber que nada do que eu faça melhorará o relacionamento dele com a empresa. Basta me mostrar que a empresa não diferencia o bom funcionário do funcionário ruim e que o trabalho de um tem tanto valor quanto o do outro (ainda que eu não seja nenhum dos dois em questão). Pronto! Inadvertidamente, você acabou de criar o cara mais motivado do universo. No meu caso em específico, motivado para sair da sua empresa e abrir um negócio próprio :-)

O aspecto da motivação é engraçado. Algumas vezes ele costuma funcionar ao contrário para mim. Quando alguém me diz que determinado trabalho não pode ser feito, mas a pessoa assume essa postura por comodidade ou por medo de mudar o status quo, eu tomo isso como uma afronta pessoal. Pior ainda se eu escutar isso de alguém muito próximo(a) a mim. Aquilo se torna um desafio. Não só para mostrar que é possível, mas para mostrar que essa pessoa também conseguiria, se tentasse.

Mas como uma empresa só ou uma pessoa só pode salvar o mundo? A resposta é simples: Não pode. Não uma só empresa ou uma só pessoa.
Já parou para pensar como uma empresa afeta a vida das pessoas que estão relacionadas a ela? Se não gosta da palavra “empresa”, use empreendimento ou negócio ou entidade sem fins lucrativos no lugar. São todas formas de associação.

A empresa é criada com o objetivo específico de atender a uma ou várias necessidades de seus clientes. Então, é justo dizer que as vidas dos clientes são as primeiras afetadas pela existência da empresa. Para prover o serviço ou criar o produto que atenderá a esses clientes, a empresa precisará de colaboradores e parceiros de negócio. Pronto! Para gerar valor aos seus clientes, sua empresa emprega colaboradores e demanda produtos e serviços de parceiros. Os colaboradores afetam as vidas uns dos outros, a de seus clientes, a sua vida e a de outras pessoas e empresas, seja compartilhando experiência e conhecimento ou agindo como consumidores de outros produtos e serviços. Esse mesmo fenômeno pode ser observado dentro das empresas parceiras.

Eu, basicamente, acabei de descrever o capitalismo. Mas há um truque aqui: O que move a sua empresa? Sua empresa toca a vida de muitas pessoas quer seja direta ou indiretamente. Se essas vidas serão afetadas positiva ou negativamente, é tanto uma escolha delas quanto sua. Eu acredito que seja possível tornar essa experiência majoritariamente positiva (e salvar o mundo :-P ). Claro que não penso e não desejo transmitir a idéia de que tudo seja belo, perfeito e maravilhoso. Mesmo porque tudo é baseado em relacionamentos humanos e, como já disse a Dani Calabresa, em outra ocasião: Relacionamento não é aquela coisa colorida e onde tudo se encaixa, o nome disso é Lego, relacionamento é outra coisa… (ou algo do gênero :-) )

Sua empresa gera riquezas tangíveis e intangíveis. Essas riquezas “fluem” para outras pessoas (você inclusive) que podem utilizá-la para gerar mais riqueza. E “riqueza”, nesse contexto, não engloba apenas bens como dinheiro e conhecimento. Há algo mais. Algo difícil de explicar. Uma espécie de força transformadora. Você pode mudar a vida de uma pessoa criando uma oportunidade para ela. Não só uma oportunidade de emprego e de crescimento profissional, mas uma oportunidade de crescimento pessoal e de fazer o mesmo por outras pessoas. Uma oportunidade de ajudar não apenas a sua própria família, mas muitas outras famílias.

Para salvar o mundo, você só precisa dar um passo de fé e criar a oportunidade para que uma pessoa ajude a si mesma. Ela se encarregará do restante. Ao menos é nisso que eu acredito.