Que a vida de quem quer ter a sua própria empresa (ou negócio) é difícil, eu já sabia, pois ensaiei e tentei outras tantas vezes… Mas está casca.

Esqueça todos os “você tem que” ou as dicas de especialistas. Para mim, o que mais tem “pegado”:

1. Custos pessoais astronômicos quando comparados à lucratividade da empresa

Eu levo uma vida “espartana”. Por espartana, eu entendo: sem carro, sem baladas, sem sair para lugares caros, sem roupas de marca, sem troca constante de gadgets e etc. Quem (con)viveu comigo sabe disso.

Mas, provavelmente, a minha vida não seja espartana o suficiente para o volume de faturamento e a lucratividade da empresa. Burrice minha. Devia ter ido morar em outro lugar. Em um lugar mais barato. Devia ter pensado e feito isso antes…

IMHO, meu grande erro. O maior deles.

2. O isolamento e a sensação de só poder depender de você e de 1 ou 2 gatos pingados

Este aqui é resultado de um misto de fatores.

O primeiro é que as pessoas vivem em bandos/grupos. Por mais triste que isso seja, se você só se relaciona com pessoas que têm um emprego fixo e que nunca tiveram um negócio próprio, você sempre se sentirá como um peixe fora d’água. O inverso também é verdadeiro. É como ser o único bancário no meio de um monte de desenhistas ou o único desenhista no meio de um monte de bancários :-(

O segundo é que as pessoas são egoístas. Todos nós somos, em maior ou menor grau. Meu desafio é encontrar aquelas pessoas que também pensem no próximo. Um aviso: se você não é uma dessas pessoas, por favor, fique bem longe de mim.

O terceiro é que eu sou centralizador, certinho e cheio de “manias”. Ou seja, eu gosto das coisas feitas da forma como eu considero a mais correta. Isso é um saco. Uma hora eu tenho que aceitar que há outras formas de se fazer e que elas são igualmente boas.

O quarto é que, querendo ou não, o mundo está cheio de gente incompetente e picareta. Então é bem difícil encontrar e conseguir contratar e manter bons profissionais ou empresas fornecedoras de serviços.

3. A incerteza sobre o quanto persistir, quando mudar de rumo e quando desistir

A vida é incerta. Ponto.

Você pode seguir uma fórmula pronta e ser infeliz ou você pode tomar suas próprias decisões e ser infeliz também :-)

O lance é que ninguém sabe “de verdade”. Nós nos baseamos em experiências passadas, no nosso desejo por um futuro melhor, em um pouco de raciocínio e lógica e tomamos alguma decisão que só o futuro dirá se foi boa ou ruim para nós…

É por isso que eu brinco dizendo que a vida é “aleatória” (e deixo algumas pessoas incomodadas com isso) ;-)

4. As contas que nunca param de chegar

Ouvi essa do rapaz que vendeu um carro para mim, há alguns dias atrás. Acho que a frase exata era algo como “Conta para pagar tem todo dia” :-)

O lance é que eu não tenho ninguém me “bancando”. Não tenho sócio investidor, financiamento do BNDES ou empréstimo pessoal. Sou só eu, eu e o pouco dinheiro que ainda me resta.

 

Talvez, o “grande erro” seja o título deste post, já que eu ia falar apenas sobre o erro de não ter economizado (ainda) mais e acabei falando sobre tudo o que está me incomodando profissionalmente.

No fim, a minha “dica” é seguinte: quando você achar que já economizou e reduziu seus custos (pessoais e da empresa) o máximo possível, reduza-os mais. Especialmente, se você estiver começando do nada e se, financeiramente, tudo depender de você.