Eu tenho um lance com a vida e/ou com as entidades benéficas/maléficas que a regem (se é que há alguma):

De quando em quando, nos momentos em que a minha vida parece mais “fora dos eixos” do que o normal, eu sinto como se alguém estivesse me desafiando, dizendo algo do tipo “- Duvido que você consiga deixar a sua vida mais aleatória/caótica do que ela está agora!”.

Bom, o que eu posso dizer? Em um número razoável das vezes, eu aceito o desafio :-P e começo a tomar decisões que, aparentemente, deixariam a situação toda mais bagunçada.

Antes que alguém comece a encher o meu saco com julgamentos, falando sobre imprevisibilidade e/ou instabilidade, permita-me destacar alguns pontos:

1. Filho, você não vive isolado em um modelo matemático perfeito. Muito pelo contrário. Boa parte da sua vida é composta por interações, ou seja, direta ou indiretamente nós somos afetados por elementos sobre os quais não temos controle (ambientes, pessoas, economia, etc e etc) e esses mesmos elementos interagem entre si. O grau de controle que você e eu achamos que temos sobre a vida é uma ilusão. Nós controlamos uma partezinha ínfima e nos iludimos sobre o nosso controle do restante;

2. Se você realmente acredita que controla 80% ou mais do que acontece na sua vida e ela está uma “zona”, então, a maioria das decisões que você tomou, até agora, foram uma bosta, certo? Logo, não seria mais inteligente começar a tomar decisões opostas às que você está acostumado? Ou seja, decisões que contrariem o seu antigo “eu”?

3. Eu sei como você gosta de escrever ou de dizer para os outros “saírem da sua zona de conforto”. Mas, vai por mim, se você compartilhou uma imagem com esses dizeres, as chances são que você mesmo não sai da sua, só se sente incomodado pelo fato da zona de conforto dos outros ser diferente da sua :-)   Bom, de quando em quando, eu gosto de me desafiar a sair da minha zona de conforto e eu o faço efetivamente. Afinal de contas, se eu nunca sair do mundinho que eu construí para mim, como é que eu vou saber o que acontece “lá fora”?

E não, a minha vida não fica mais caótica quando eu faço isso. Ela sai do papel. Ela acontece. Ela pára de caber nela mesma.

E coisas mágicas acontecem. E eu aprendo mais um monte de tralhas novas. E eu conheço pessoas interessantes.

E, no meio do caminho, eu me reencontro. A melhor parte de mim, pelo menos. A parte que eu gosto mais.