De certa forma, eu morro de medo de falar sobre a morte. Tenho medo de, ao falar sobre ela, atraí-la para mim ou para os meus entes queridos. Mas não sei o quanto de lógica há nisso… O quanto de lógica há no medo?

As mesmas bocas que proferem que devemos enfrentar os nossos medos são aquelas que nos contam histórias para amenizar o fato de que todos nós morreremos. Vida eterna/alma imortal, ressurreição, reencarnação são apenas algumas delas. E são as mesmas histórias que nós contaremos a nossos filhos e que eles contarão aos nossos netos e que os nossos netos contarão aos nossos bisnetos e assim sucessivamente.

Mas seria mais confortável pensar na não existência? Como seria isso? Como é não ser nada? Nem um pensamento, nem uma luz, nem um milésimo de segundo, nem um pontinho no espaço-tempo… Como nosso cérebro poderia emular um cenário que ele nunca experimentou? Ou será que experimentou?

O que éramos antes de nascermos? Não seremos o mesmo ao morrermos? E se já fomos “nada”, não deveríamos saber como é isso?

A minha única certeza é de que, após a minha morte, serei um ser humano melhor diante dos olhos daqueles que me conheciam :-) Porque eles só se lembrarão das coisas boas que eu fiz e dos melhores aspectos da minha personalidade. Não se recordarão (ou se sentirão culpados ao fazê-lo) dos meus defeitos, dos meus erros, da minha personalidade difícil, da minha falta de paciência e de todo o “mal” que acompanha o “bem” em meu ser.

Engraçado, não? Nós, vivos, somos mais brandos e compassivos com os mortos do que com os outros vivos. Assim como somos mais brandos com estranhos do que com aqueles que convivem conosco, lado a lado, em nossos lares ou ambientes de trabalho.

Como já é de praxe, esse aglomerado de indagações e reflexões começou em algum lugar :-P

http://www.ted.com/talks/stephen_cave_the_4_stories_we_tell_ourselves_about_death?language=pt-br